Sobre vender e cuidar


Entendo a necessidade de cada um de nós ganhar o seu dinheiro, óbvio. E entendo a necessidade de darmos a melhor forma à nossa mensagem para que ela se torne atraente aos nossos "clientes", para que as pessoas reparem em nosso produto (ou serviço) e saibam que nós existimos.


Estou falando de propaganda, de auto-divulgação, de vender o seu produto. Todos nós temos que cuidar disso. Num mundo de mais de 7 bilhões de pessoas, como as pessoas podem saber o que eu ofereço se eu não me exponho, não falo a respeito nem te conto da beleza do meu produto ou serviço?


Mas existe uma sutil diferença entre você "divulgar" a sua verdade, a sua mensagem e o seu propósito da maneira mais profissional possível, ou você conduzir o seu cliente de forma a se aproveitar da sua pureza ou ignorância (no sentido de "desconhecer").


Quando vejo embalagens como essa das fotos a seguir, tenho vontade de gritar para o mundo: "olhem para esse truque!". Como disse, claro que todos nós precisamos nos "vender", afinal também quero pagar minhas contas, poder viajar e cuidar da minha filha e da minha velhice. Por isso, precisamos sair da torre da reclusão e eventualmente gritar na feira: "meu produto é maravilhoso, veja!", "ele vai te ajudar a ser mais feliz e satisfeita consigo mesma!", "vai te transformar!" ou o que for - se é isso mesmo que eu acredito.

Mas eu não acho correto gritar as frases acima se for somente com o propósito de vender, se eu mesma não acredito isso do meu produto (ou serviço, no meu caso).


E quando vejo o que é ressaltado por exemplo nessa embalagem, tenho exatamente essa sensação: grita-se algo que o cliente quer (e precisa) ouvir - somente para fazer com que ele compre o seu produto: "fantastic" (fantástico), "wood oven" (forno a lenha), "baked not fried" (assado, não frito), "less than 4% fat" (menos de 4% de gordura), "gluten free" (sem gluten)!

Só quem já é mais experiente (ou desconfiado) é que vai se dar ao trabalho (que pena não poder confiar!!) de ler as letras miúdas que revelam os ingredientes. Olhando, vejo que não quero praticamente nada (fora o arroz, tomate e salsinha) do que está ali: corante, realçadores de sabor, aroma artificial de pizza. E o terceiro ingrediente é açúcar, claro - justamente para compensar o "less than 4% fat" (menos de 4% de gordura)! E o que seria essa "proteína de milho hidrolisada" ali, escondidinha, no meio? Pelo que entendi é mais um tipo de adoçante...


E repare onde o produto foi fabricado: na Tailândia! Faz sentido consumir um produto que teve que ser transportado por milhares de quilômetros para me "satisfazer"? Que pegada ambiental é essa que estamos dando aqui? Em que condições esse produto foi fabricado lá (exploração laboral?) que valha a pena pagar por esse transporte tão longe? Que tal favorecer um produtor local, daqui mesmo?


Fica a pergunta: você acha que saúde se vende de graça? São poucas as pessoas que realmente vendem saúde. Nem a medicina vende realmente saúde. Ela vende combate à doença e alívio. E tudo bem com isso, claro!!


Mas desconfie de um produto industrial dizendo que vende saúde. Isso é praticamente uma contradição em si. Saúde é igual a natureza. A frescor, a pulsação, a luz solar, a movimento, a ar fresco. E a decomposição; pois tudo que é vivo, morre. Somente um produto industrializado, pobre em reais nutrientes, aromatizado artificialmente e conservado em química que não morre, simplesmente pelo fato de já estar morto desde o início. Ou vocês acham que uma alface, uma manga ou um tomate poderiam permanecer meses em uma prateleira?


Vender é uma coisa. Cuidar é outra.


Como vender - e cuidar - ao mesmo tempo?

Como cuidar - e vender - ao mesmo tempo?*


Fica a reflexão.


*talvez vender possa ser cuidar de si mesmo (cuidar de seu sustento) e comprar possa ser cuidar de si mesmo (das suas necessidades). Se for a feito com consciência e amor, temos saúde!

12 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
logo_sem_fundo_edited_edited.png
  • Grey Facebook Icon
  • Grey Instagram Icon