Quando a alma está doente


Hoje eu vou escrever um texto bem pessoal, na esperança de que ele esclareça algumas coisas e ajude a muitas pessoas.


Quando a alma está doente ela não quer saúde. Ponto. Ela está doente. Ela quer saber de cerveja, de salgadinho, de esquecer. Não aguenta a vida do jeito que ela é, principalmente em tempos de quarentena. Ela está cansada ou angustiada ou insegura, ou se sentindo sozinha. E aí ela olha para o aipo, o alho poró, a alface, a beterraba e pensa... "não".


Só quer saber de cerveja ou vinho e salgadinhos. Não quer sentir, não agüenta olhar muito pra dentro; está perdida.


E escrevo isso sem o mínimo de julgamento, mesmo. E sim com compaixão, inclusive por mim mesma. Quando digo "a alma está doente" não quero dizer "a alma é doente", pois uso o verbo estar, como algo passageiro, que acontece. Ponto. Com quase todo mundo, em algum momento. E tudo bem. Faz parte da vida. Faz parte da vida ter altos e baixos, faz parte da vida passar por dor e alegria, faz parte da vida estar carente ou namorando, faz parte da vida estar super feliz e triste pra caramba, querendo emburacar. Faz parte da vida. Ponto!


A forma como lidamos com isso é que é delicado. Precisamos estar atentos para não emburacarmos demais. O perigo é real e precisamos estar atentos. Infelizmente, para alguns de nós o buraco, a escuridão, a depressão tem um atrativo enorme. Tem um que de aconchego "se deixar ir", se encolher, ficar na cama sem querer sair pro mundo. E tudo bem termos um dia ou outro assim. Mas precisamos "estar atentos e fortes" - mesmo!


E isso vale para a alimentação também.

Tenho observado em mim esses dias uma vontade de chutar o balde. Quero cerveja e salgadinho. Tem horas em que não quero é fazer nada. Olho para o alho poró, o aipo (que normalmente AMO!!!) e a beterraba e penso... "não". E tudo bem. Desde que essa não vire a regra. Desde que eu consiga me acolher e escutar nessa necessidade, procurando entender: o que está acontecendo com minha alma.


É excesso de energia? Vou caminhar, caminhar, caminhar. É carência? Vou meditar, ligar para algum amigo ou amiga, vou me acolher, torcer para que passe com o novo dia.


O importante é: conversarmos com nossa alma, estarmos dispostos a escutá-la, sem nos deixarmos dragar para o fundo do poço. Normalmente a escuta tem grande poder de cura, inclusive a AUTO-ESCUTA. E, algumas vezes, o primeiro passo de uma escuta consciente, é acompanhar nossa alma conscientemente para o fundo do poço, se for o caso. Que é diferente de simplesmente ir...


E, anotem: é importante saber quando pedir ajuda e quando agir (se tivermos força)!


Ontem escutei uma live (meu Deus, quantas lives!!) sobre suicídio e depressão, e de fato precisamos falar sobre isso.


Eles trouxeram um exemplo: quando nossa mão está sangrando o que fazemos? Corremos para cuidar dela, pedimos ajuda etc.


E quando a alma está sangrando, o que fazemos? Em geral, cada um sangra sozinho.


E isso é bem triste. Até porque afundamos nossa dor muitas vezes na comida (eu, pelo menos, infelizmente me identifico beeem com isso). E de novo: tudo bem, sem problema algum, se isso for DE VEZ EM QUANDO. O problema é se essa se torna nossa única forma de lidar com sentimentos e momentos de vida desafiadores.

Aí precisamos pedir ajuda.


Ah, em tempo: há muuuuita gente por aí que adoraria receber um pedido de ajuda. E que adora ajudar pessoas a se re-erguerem, a voltarem a confiar em si e na vida. Eu sou uma delas.


Procure ajuda. Há gente que ficará feliz com seu pedido.


Um beijo enorme (por hora ainda regado a cerveja e salgadinho, porque hoje é sexta-feira a noite e minha alma pede - mas estou louca para sentir prazer novamente com todos os verdes frescos que me aguardam na geladeira!),


Verena.

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